Tudo o que você precisa saber sobre o compartilhamento de postes

Nos últimos anos houve uma imensa expansão do acesso à internet via fibra óptica, desde os principais centros urbanos até as cidades mais afastadas.


Quem vem contribuindo imensamente para este avanço são os pequenos provedores, que muitas vezes atendem as regiões mais remotas em que as grandes empresas não disponibilizam atendimento.


Este investimento em uma nova tecnologia está sendo facilitada por conta da redução dos custos dos equipamentos para a implantação da rede, além das facilidades para pagamento que os fornecedores de equipamentos ópticos vêm oferecendo e aos programas de incentivo disponibilizados pelo governo.


Apesar do investimento inicial não ser mais um empecilho tão grande, alguns provedores ainda esbarram em muitos problemas na hora de iniciar com a implantação da rede e percebemos que o principal deles vem sendo o compartilhamento de poste junto a concessionária de energia.


Isso porque, antes de implantar qualquer cabo nos postes é necessário apresentar um projeto de toda rota e o mesmo deverá ser análisado e aprovado para que seja liberada a execução da obra.


Além disto, após a aprovação do projeto, é necessário pagar um valor mensal pela utilização dos pontos de fixação.


Com o intuito de implantar a rede em um menor prazo possível, algumas empresas acabam não protocolando os projetos por conta do tempo de análise que eles acabam levando para serem aprovados.


Mas esta atitude pode trazer algumas consequências negativas para o provedor. Além de notificações extrajudiciais, retirada de cabos, multas que podem ser aplicadas e até mesmo paralização das obras, existe a possibilidade de não possuir pontos disponíveis para regularização após a rede implantada.


Já imaginou quanto dinheiro seria desperdiçado para trocar uma rota já implantada e em operação?


Na realidade não é nada difícil regularizar a rede, basta ter conhecimento do que pode ser feito e quais processos são necessários para realizar o compartilhamento de postes.


Neste artigo iremos apresentar tudo o que o preciso saber sobre compartilhamento de postes.




1- Por que é necessário aprovar seu projeto na concessionária de energia?



Atualmente, todas as empresas que administram as redes elétricas também administram os pontos destinados ao compartilhamento de cabos de telecomunicações. Esta medida foi tomada para que se houvesse um controle de quais cessionárias utilizam suas estruturas, se elas estão trabalhando dentro das normas definidas pela ANATEL e garante que os postes aguentarão os esforços físicos exercidos pelos cabos a serem implantados.


As concessionárias de energia normalmente permitem o compartilhamento de apenas 4 a 6 pontos de fixação para as redes de telecomunicações, e para isto solicita que os interessados enviem um projeto indicando o trajeto que será utilizado.


Com o projeto aprovado, o solicitante terá o direito de suspender seus cabos nos postes definidos.


Já, as empresas que estão ilegais, estarão sujeitas à notificações, multas e até mesmo a retirada de cabos.


As concessionárias de energia vêm aumentando a fiscalização e punindo frequentemente os provedores irregulares.


Boa parte das vezes chegam até mesmo a derrubar uma rede em operação deixando centenas ou até mesmo milhares de clientes sem internet!


Consegue imaginar a quantidade de suporte técnico que isso pode gerar?


Já pensou em ter o nome da sua empresa manchada por ser uma empresa ilegal?


Muitas vezes imaginamos que as irregularidades são encontradas em fiscalizações de rotina, mas não é somente isso.


Com o crescente número de provedores se instalando nas cidades, percebemos que as denúncias estão aumentando constantemente e sendo a cada dia mais importante para o descobrimento irregularidades.


Este aumento do número de prestadores de serviços de telecomunicações está acarretando em outro problema: a falta de pontos disponíveis para compartilhamento.


Por isto deixamos sempre claro, os primeiros que aprovarem os projetos terão a tranquilidade de operar sua rede com garantia e segurança.



2- Quais as documentações necessárias para protocolar o projeto?


Antes de apresentar um projeto de compartilhamento é obrigatório celebrar um contrato com a concessionária de energia.


Para que isso seja possível é necessária a apresentação de alguns documentos como contrato social, certidões negativas, alvará, e ato de outorga ou dispensa SCM.


Para facilitar o processo, algumas concessionárias permitem que a documentação para celebração do contrato seja apresentada juntamente com o projeto. Outras, solicitam que o contrato seja celebrado antes de um projeto ser protocolado.


Com a parte cadastral e contratual concluídos, a cessionária estará apta para apresentar o projeto de compartilhamento que deverá ser enviando juntamente com as planilhas de cálculo de esforço, memoriais descritivos, ART’s, datasheet dos equipamentos e cronograma de execução de obras.


3 – Quando posso implantar a rede?


Grande parte dos provedores acreditam que podem implantar os cabos após a assinatura do contrato, mas isto é um engano!


Antes de tudo, deve-se saber se o trajeto desejado possui disponibilidade para fixação da rede a ser implantada.


Em algumas concessionárias está análise deve ser feita em campo, fazendo uma análise visual de todos os postes da rota desejada.


Outras concessionárias disponibilizam um arquivo com todos os postes da cidade indicando quais ainda estão disponíveis e quais estão impossibilitados de se compartilhar.


Feita este levantamento em campo, deve-se enviar o projeto para análise e somente após o carimbo de aprovação você estará liberado para implantar os cabos nos postes.



4 – O que é preciso para elaborar o projeto


Após ter o contrato celebrado e a rota definida, é hora de desenvolver o projeto. Caso a concessionária não disponibilize o arquivo base com os postes existentes, sua equipe deverá recolher estes dados através de um levantamento em campo.


Neste levantamento recomendamos elaborar um relatório fotográfico identificando os tipos de postes, quais são os cabos existentes e a coordenada individual de todas as estruturas.


Na elaboração do projeto é essencial indicar a altura e capacidade de carga nominal dos postes, tração exercida dos cabos a serem implantados, distância entre os postes, equipamentos e aterramentos existentes na rede e não podemos esquecer de georeferenciar todo o projeto.



5 – Como sei qual a tração que o poste estará sendo submetido?


Esse é um dos principais pontos para a aprovação do projeto, pois em todos os cálculos de esforço do projeto o valor da força resultante nunca poderá superar a carga nominal do poste.


Caso o valor calculado seja superor ao da estrutura, o projetista deverá procurar uma solução para que se possa dar continuidade no projeto.


O cálculo de esforço pode ser feito utilizando uma planilha de cálculo, onde deverá ser informado dados como os ângulos entre os cabos existentes, vãos que estes cabos estão submetidos, peso de cada cabo e, caso seja necessário, até mesmo indicar os cabos de energia que se encontram ancorados no poste.


Um detalhe é que o cálculo de tração não precisa ser feito em postes cujo os cabos são tangentes, somente naqueles que possuem uma angulação mínima determinada pela concessionária de energia.


Depois que os cálculos são feitos, deve-se representar as forças resultantes encontradas no projeto.


6 – Onde posso instalar as minhas caixas de emendas?


Na maioria das concessionárias de energia, as caixas de emenda normalmente não podem ser instaladas diretamente no corpo dos postes, sendo permitida a instalação nos vãos.


Para que isso seja possível, as caixas e reservas deverão ser suspensas em cordoalhas, que podem ser metálicas ou dielétricas.


Um ponto interessante a se levantar sobre as cordoalhas em projetos de compartilhamento, são que as metálicas exercem um esforço maior do que muitos cabos ópticos, então na hora de projetar uma rede espinada devemos ter muito cuidado ao calcular os esforços nos pontos de ancoragem das cordoalhas.


7 – Qual o valor do aluguel dos postes?


A Resolução Conjunta ANEEL e Anatel nº 004/2014 determinou um valor de R$ 3,19 como sendo um preço de referência para a precificação do ponto de fixação no poste.

Apesar dessa norma, na prática, este valor não é o praticado.

Algumas concessionárias de energia abrem espaço para negociação e é possível conseguir preços de R$5,00 a R$7,00.

No entanto, algumas outras chegam a cobrar acerca de R$15,00.

É importante saber que existe margem jurídica para negociação com as concessionárias de energia para conseguir preços melhores.

Portanto, antes de assinar o contrato de compartilhamento de infraestrutura com a concessionária de energia, certifique-se do valor definido que foi estabelecido no contrato e se a concessionária possui margem para negociação.


8 – Quando começo a pagar pelo aluguel dos pontos de fixação?


Normalmente a cobrança dos pontos aprovados inicia-se 30 dias após a aprovação do projeto.

Algumas concessionárias possuem um faturamento mínimo mensal. Por exemplo, a CEMIG poossuí um faturamento mínimo de 300 postes, ou seja, se sua empresa possuir 250 postes aprovados, o valor que você irá pagar mensalmente será referente à 300 postes.

Você só começará a pagar proporcional aos postes que possui, a partir do momento que seu montante aprovado ultrapassar os 300 postes.


9 – Quem pode elaborar o projeto de compartilhamento de postes?


A resposta é bem específica para cada concessionária, mas no geral, engenheiros de telecomunicações ou engenheiros eletricistas podem estar elaborando o projeto de compartilhamento de postes.

Com algumas recentes mudanças, algumas concessionárias também aceitam a elaboração do projeto de compartilhamento elaborados por técnicos de telecomunicações ou técnicos eletricistas. O ideal é consultar quais aceitam a ART de técnicos, mas algumas grandes como a CEMIG E ENERGISA já estão permitindo.

É importante citar que algumas concessionárias solicitam que o projetista esteja previamente cadastrado em seu sistema, sendo necessária a apresentação de alguns documentos que comprovem a aptidão técnica.

Caso precise, a Ascent Telecom possui capacitação técnica e cadastros necessários para elaborar projetos de compartilhamento de infraestrutura nas principais concessionárias de energia.

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